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Pânico e agorafobia

Regina Wielenska 13/07/2018 PSICOLOGIA
Pânico e agorafobia
Fonte: imagem Pixabay
Tratamento farmacológico de pânico e agorafobia

Por Regina Wielenska

Tratar adequadamente os sintomas de pânico requer uma extensa avaliação psiquiátrica - veja texto anterior. Em alguns casos são também solicitados exames, que permitem ao médico excluir causas não psiquiátricas. O principal instrumento de avaliação é a própria entrevista, na qual o médico vai investigar os sintomas presentes, em termos dos contextos nos quais eles surgem, mas também a intensidade, frequência e duração deles. A ansiedade pode ser atenuada com duas classes principais de fármacos (há outras opções, usadas em casos específicos): a curto prazo os benzodiazepínicos e a longo prazo os inibidores de recaptação de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina.

Benzodiazepínicos (BZD) costumam funcionar rapidamente para controle da ansiedade, em cerca de meia hora. São úteis por trazerem alívio rápido e ajudarem a evitar a formação de uma vivência traumática associada ao local ou atividade onde o pânico se manifestou, que é a origem da agorafobia. Os BZD possuem um potencial de desenvolvimento da dependência física e devem ser usados com moderação, estritamente nas ocasiões e doses determinadas pelo médico. Comportamentos de abuso e automedicação com benzodiazepínicos devem ser evitados a todo custo.

Os inibidores de recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRs), por sua vez, oferecem ajuda de longo prazo, reequilibram a biodisponibilidade de neurotransmissores, regulam processos neuroquímicos, sem risco de dependência física e um perfil geralmente moderado de efeitos colaterais. Demoram a fazer efeito, levam de duas a três semanas, ainda que um eventual efeito colateral, como sonolência, por exemplo, possa surgir inicialmente.  A introdução dos ISRs pode até induzir uma piora inicial da ansiedade, e por tal razão se faz uso temporário dos BZDs, prevenindo novos ataques. Os ISRs deverão ser regulados gradualmente em termos da dose necessária para cada cliente.

O tratamento começa com a dose mínima, que será elevada gradualmente apenas a critério médico, em caso de resposta clínica parcial. Alguns desses fármacos são incompatíveis com a gravidez, pelo risco de má-formação fetal, especialmente nas etapas iniciais da gestação. Um diálogo entre obstetra e psiquiatra resultará na melhor decisão para a cliente grávida. Não se recomenda abusar de álcool durante o uso da medicação. O ISR será usado por ao menos um semestre após se atingir a remissão completa dos sintomas e o indivíduo se sentir plenamente recuperado. A retirada será planejada, com redução escalonada das doses.

O paciente não deve estranhar se descobrir que uma pessoa deprimida ou com TOC, por exemplo, também faz uso dos mesmos remédios. O ácido acetilsalicílico (popularmente conhecido como Aspirina) também é assim: reconhecidamente indicado para controle da dor e febre, também é usado na cardiologia e medicina vascular, prevenindo a formação de agregações plaquetárias, os trombos. Na psiquiatria um remédio pode igualmente ter indicações diversas.

Outras alternativas farmacológicas estão ao dispor do médico, caso essas classes de medicamento acima mencionadas funcionem em níveis abaixo do ideal. De todo o modo, a adesão ao tratamento é o que se espera do paciente, e qualquer problema ou mudança será avaliada em consulta.

Na próxima coluna discutirei sobre a importância da psicoterapia no tratamento do pânico.




TAGS :

    agorafobia, pânico, tratamento, remédios

Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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