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Por que não é possível caçar fantasmas em reality shows?

Roberto Goldkorn 01/01/2016 SERVIÇO

por Roberto Goldkorn

Um programa de televisão de grande audiência resolveu caçar fantasmas em horário nobre.

Copiado de alguma série estrangeira, coloca um grupo de incautos em lugares supostamente “mal-assombrados” e com a ajuda de um “especialista”- um jovem mágico de auditório - vai ao final desmontar e demonstrar “cientificamente” que tudo não passa de mentes sugestionáveis reagindo a estímulos físicos totalmente explicáveis.

Como já dizia um velho ditado latino: “Que o sapateiro não vá além dos sapatos”. O programa peca por querer ir além de suas competências que deveriam ser o entretenimento e a informação. O quadro dos caça-fantasmas frustra quem espera entretenimento e mais ainda de quem anseia por informação consistente.

Mas por que esse tema não é adequado a exploração televisiva do tipo reality show?

Assim como os fenômenos paranormais não são passíveis de controle científico porque sua espontaneidade impede o rigor e a repetição que a ciência impõe, os fenômenos espirituais são muito menos ainda. Ambos têm como motor a EMOÇÃO, essa energia inquantificável, imponderável e incontrolável pelos instrumentos e réguas.

Se existem fantasmas, e esses habitam locais físicos, “humanos”, em princípio está acontecendo algum “erro”, da mesma forma que famílias inteiras morando na rua também estão violando alguma lei social óbvia.

Se existem manifestações perceptíveis de entidades extra-físicas é porque alguma falha em sua programação natural está acontecendo, e essa falha em 99,999% dos casos se deve a poderosas emoções.

O que se sabe por pesquisas heterodoxas (nessas eu confio) é que essas entidades não corpóreas ficam presas a locais onde têm algum tipo de “âncora” emocional, na maioria das vezes compostas de emoções bem primitivas como ódios, hiperapegos, medos e paixões. Em outros tantos casos os “fantasmas” são apenas restos de construtos puramente emocionais de pessoas que um dia viveram ali ou perto e que por sua vez viveram vidas encharcadas de emoção/paixão.

As obsessões, a loucura, as psicoses mais bravas em geral costumam gerar esse tipo de construto. É como se o corpo de emoções - muito denso - de um indivíduo sobrevivesse à sua morte e por algum tempo pairasse ali como um suave vapor de humanidade que já não existe mais.

Numa proporção infinitesimal entidades espirituais puras também podem, por motivos vários, habitar alguns raros locais. Muitas vezes são antigos locais de cultos e rituais, impregnados de energia que ainda pode ser “saboreada” por essas entidades mais “inteligentes”, apenas porque ali tem um Ego. Mas essa não é uma regra absoluta. As pessoas costumam atrair entidades espirituais, obviamente não qualquer pessoa, mas as que mesmo sem o saber têm vínculos antigos com essas entidades.

Se a “fauna” humana é variada, e vai do alfa ao ômega por que não seria a fauna espiritual?

Por isso qualquer tentativa tosca, pseudocientífica de entrar em contato com essas energias, sejam de que categoria forem, está destinada ao malogro.

Existem naturalmente formas de se estabelecer algum contato, mas além de ser (na maioria das vezes) um mero exercício de vaidade/curiosidade infantil, não são recomendáveis, não acrescentam grande coisa ao nosso universo, a não ser riscos desnecessários.

Portanto, fazer qualquer interação com o mundo das energias “espirituais” por divertissement, é um péssimo investimento, um disperdício de tempo, dinheiro e da inteligência do público.




Roberto Goldkorn

É escritor e autor dos seguintes livros: "Feng Shui para Brasileiros - A Medicina da Habitação", "Feng Shui - Energia e Prosperidade no Trabalho", "Feng Shui Para Brasileiros - A Cozinha" - todos pela Editora Campus. "Não Te Devo Nada" e "Solidão Nunca Mais" ambos pela Bertrand Brasil.



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