Você sente que o tempo não é suficiente?

Tem a sensação que tudo está passando mais rápido do que antes? Que, apesar dos seus esforços, o dia termina com mais pendências do que realizações? Saiba que há uma saída.

Essa sensação de improdutividade constante, acompanhada por fadiga, culpa, frustração e um leve desespero silencioso, pode ser um indício de algo mais profundo: um desalinhamento entre a forma como você gere o seu tempo e como organizas suas prioridades internas e externas.

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Na prática clínica, é comum eu atender demandas de pessoas presas em um emaranhado de tarefas e cobranças, tentando dar conta de tudo, mas sem dar conta de si mesmas. A dificuldade em discernir o que é essencial, importante ou apenas urgente compromete não só a rotina, mas a nossa saúde emocional. Quando tudo parece urgente, nada é verdadeiramente importante. Nesse ambiente caótico, a procrastinação não surge por preguiça, mas como um mecanismo de defesa psíquica: adiar torna-se uma forma inconsciente de escapar da sobrecarga e da sensação de incapacidade. É um ciclo autossabotador na verdade. 

Esse ciclo, marcado por tentativas de controle externo e desorganização interna, alimenta níveis elevados de estresse, ansiedade e, em casos mais crônicos, leva ao esgotamento psíquico, ou a uma exaustão mental. A mente entra em colapso quando o corpo é forçado a produzir mais do que a alma consegue sustentar.

Há uma saída

A boa notícia é que o cérebro é plástico. Estudos em neurociência mostram que práticas como atividade física regular, técnicas de atenção plena (mindfulness), psicoterapia, leituras, oração e meditação têm o poder de reestruturar circuitos cerebrais, promovendo a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina, que são responsáveis por nossas sensações de prazer, motivação, clareza mental e estabilidade emocional. Cuidar da mente e do corpo, portanto, não é luxo: é estratégia de sobrevivência e de sanidade.

Organizar prioridades não é apenas uma questão de agenda, mas de consciência. Não se trata de encher a vida de atividades para parecer produtivo, mas de preencher a existência de sentido para viver com propósito. E isso exige silêncio, discernimento e coragem para dizer “não” ao que te afasta de si.

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Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online