Os dois benefícios de comer vegetais

Esses vegetais são crucíferos, como repolho, couve-de-bruxelas, couve-flor e brócolis

Vegetais crucíferos – um passo simples para artérias mais saudáveis

Consumir mais vegetais crucíferos, como repolho, couve-de-bruxelas, couve-flor e brócolis, pode ajudar a reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Esses alimentos são fontes ricas de nutrientes e fitoquímicos diversos. Pesquisas recentes mostram que idosos que incorporam esses vegetais em suas dietas apresentam artérias mais saudáveis e menor acúmulo de cálcio, um fator-chave no endurecimento arterial (aterosclerose). Os achados publicados na revista Nature reforçam a hipótese de que um maior consumo de vegetais crucíferos pode oferecer proteção contra a calcificação vascular.

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O endurecimento das artérias ocorre devido ao depósito de gordura e cálcio, reduzindo o fluxo sanguíneo para o coração e cérebro, podendo desencadear doenças cardíacas, AVC e morte prematura. Como o acúmulo de cálcio nas artérias está intimamente relacionado a esses problemas, consumir vegetais crucíferos pode ser fundamental para a saúde cerebral e cardiovascular. Seus benefícios podem estar associados aos elevados níveis de vitamina K, que ajuda a reduzir a deposição de cálcio nas artérias. Estudos apontam que, mesmo pequenas quantidades, como meia xícara por dia, podem diminuir a presença de cálcio nas carótidas e na aorta, a maior artéria do corpo.

Além dos benefícios cardíacos, esses vegetais são ricos em compostos como sulforafano e antioxidantes, que podem ajudar a controlar a inflamação geral, melhorar a saúde metabólica e minimizar o risco de câncer. Portanto, caprichar no consumo de vegetais crucíferos pode contribuir para a prevenção de doenças crônicas associadas ao envelhecimento. Recomenda-se o seu uso regular para promover a saúde cardiovascular, cerebral e o bem-estar geral, preferencialmente consumindo-os frescos, cozidos no vapor ou levemente refogados.

Consumo de frutas e legumes pode melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas

Um estudo bem recente publicado na revista Aging Clinical & Experimental Research revela que o consumo de alimentos vegetais (frutas, folhas, legumes) pode reduzir o risco de quedas em adultos mais velhos, especialmente em mulheres. Os pesquisadores constataram que idosos que não ingerem quantidades suficientes desses alimentos têm maior probabilidade de sofrer lesões relacionadas a quedas, destacando o papel fundamental da nutrição na saúde geral e na prevenção de acidentes. A pesquisa analisou dados de mais de 34.000 pessoas acima de 50 anos em diversos países de baixa e média renda.

O consumo de vegetais foi classificado em dois grupos: adequado (2 ou mais porções de frutas e 3 ou mais porções de folhas e legumes por dia) e inadequado (quantidades inferiores a essas). Os resultados mostraram que as mulheres que não atingiam a ingestão recomendada tinham quase o dobro de chances de sofrer lesões relacionadas a quedas em comparação com aquelas que caprichavam no hortifruti. Essa associação não foi tão evidente entre os homens. O consumo inadequado de vegetais pode aumentar o risco de quedas por meio de fatores como saúde mental, comprometimento cognitivo, problemas de visão, distúrbios do sono, baixa função e desempenho físico.

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A ingestão insuficiente de vegetais pode afetar a saúde mental devido à deficiência de folato. Consumir frutas/legumes pode proteger contra dificuldades visuais, poupando a retina do estresse oxidativo no caso de degeneração macular relacionada à idade. Baixos níveis de polifenóis e carotenoides no sangue e o aumento da fragilidade geral, associados à ingestão inadequada de vegetais, contribuem para um desempenho físico reduzido, o que pode causar quedas pelo comprometimento do equilíbrio.

Referências

*Nature 2024. Feeding the vasculature with cruciferous vegetables: a secret for organ protection.
*Aging Clin Exp Research 2025. Fruit & vegetable consumption & injurious falls among adults aged ≥ 50 years.

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Médica especializada em Nutrologia. Membro da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia. Pós-graduada em Terapia Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia. Membro Titular da Sociedade Médica Brasileira de Intradermoterapia. Consultora com atuação em Nutrologia e Medicina Ortomolecular. CRM 52 301716 www.tamaramazaracki.med.br