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Estudo da USP: cinema já não masculiniza personagem feminina violenta

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO

Da Redação

 


Além de Lara Croft (Tomb Raider) e Beatrix Kiddo (Kill Bill), perquisa analisou a personagem Nikita A mulher guerreira dos filmes de hoje é diferente das mulheres violentas que apareciam no cinema de décadas atrás. A ideia de que essas ações masculinizam o comportamento feminino perderam força, e as atitudes da mulher violenta já podem ser vistas sem que sua feminilidade seja imediatamente questionada. Hoje, a violência é mostrada como sendo um componente de sua individualidade. A conclusão é de Carla Bernava, em pesquisa apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

A socióloga diz que as guerreiras do cinema atual são mais engajadas na luta física, o que faz com que sua violência já não dependa tanto do uso de facas ou armas de fogo, como acontecia com as antigas mulheres fálicas e fatais. Além disso, nega-se a percepção de que a mulher violenta é irremediavelmente ruim ou louca porque há uma maior identificação dessas personagens com o público. “Isto se dá pela mescla de seus atributos violentos com características reconhecidas facilmente como femininas e pela ausência de punição”, diz a pesquisadora, que analisou as personagens Nikita (Nikita), Lara Croft (de Tomb Raider) e Beatrix Kiddo (de Kill Bill), entre outras.

Assim, até as guerreiras têm seu lado mais feminino e frágil: Nikita desenvolve, durante sua trama, uma fragilidade interna claramente feminina; Lara Croft apresenta-se como uma mulher bastante sedutora; e Beatrix Kiddo, em Kill Bill, luta para vingar uma agressão à maternidade.

Imagens

As imagens da violência feminina são geralmente consideradas como desviantes ou transgressoras, porque se opõem à imagem da mulher tradicional, que é não violenta. Para Carla, entretanto, em todas as épocas do cinema as imagens da violência feminina causam um estranhamento, porque remetem a um aspecto que é reprimido durante o processo de socialização das mulheres. “A exposição de características mais brutas vindas de uma mulher mostram apenas um elemento que pode estar presente em todos os indivíduos e que as sociedades reprimem com mais força no caso das mulheres”, diz Carla. Para ela, as mulheres violentas que aparecem em alguns filmes produzidos nos últimos anos se apresentam como a elaboração mais recente desse estranhamento.

Neste período, Carla também diz que a figura da “mulher fálica” parece estar perdendo força. Seu principal exemplo é Lara Croft, personagem interpretada por Angelina Jolie. A socióloga explica: “Quando o homem usa uma arma para atacar, ele está projetando sua virilidade. Aquela arma substitui seu órgão sexual masculino. Porém, Lara Croft é conhecida justamente por utilizar duas armas, uma em cada mão, que se apresentam como um prolongamento dos seus seios. É como se, a partir delas, ela projetasse sua feminilidade. Assim, a violência que essa personagem expressa é uma projeção de seu próprio corpo e não uma apropriação de uma violência que era então, por excelência, masculina”, explica.

Mais informações: carla.bernava@usp.br

Fonte: Agência USP de Notícias




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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