Reagir ao outro por conta de gatilho emocional

Uma pessoa que reage de modo exagerado a uma situação dentro da sua relação amorosa, pode sim, estar externando um trauma do passado, mas nem sempre é isso; entenda

Pergunta de um leitor: 

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“Tem como uma pessoa identificar se ela está reagindo a uma situação, na sua relação, por conta de um gatilho emocional? O grande termômetro disso seria quando a pessoa reage de forma exagerada e desproporcional a alguma questão. Ou, à medida que os dias passam, a pessoa vai aumentando dentro de si emoções como raiva, ansiedade, mágoa, medo ou repulsa… em relação a essa situação que ativa o gatilho. Uma gíria que está na moda define essa repulsa como: eca e vem do inglês “the ick”

Resposta: Uma pessoa que reage de forma exagerado a uma situação dentro da sua relação amorosa, pode sim, estar externando um trauma do passado que, de alguma forma, se repete em seu presente. Por exemplo, uma mulher que tem um pai rigoroso e despótico, pode se inflamar com uma simples opinião do parceiro que não corresponda à sua. Nessa situação ela estará conversando mais com seu passado do que com seu presente.

Mas não dá para generalizar. Nem toda reação exagerada tem a ver com o passado. Uma pessoa pode estar exagerando em sua reação porque seu parceiro está provocando. Uma pessoa, para provocar a outra, não precisa gritar, proferir ofensas ou dizer palavrões. Existem provocações sutis que mexem com um ponto fraco da pessoa. Quem souber identificar esse ponto fraco, pode cutucá-lo sutil e seguidamente até fazer a pessoa explodir. Nesse caso a reação exagerada nada tem a ver com o passado. E assim como na situação onde existe o trauma, pode levar a pessoa a ruminar esse sentimento em sua cabeça vivenciando emoções negativas como raiva, medo, repulsa e até cair numa depressão profunda.

Dá para identificar se a reação refere-se ao passado ou ao presente?

Se ela é resultado de um gatilho passado ou uma provocação atual? Depende. Existem pessoas que querem se conhecer mais a fundo e se questionarão sempre que estiverem inundadas por sentimentos negativos; pessoas que tentarão separar o joio do trigo; pessoas que preferem o entendimento à intensidade. Essas tenderão a abolir de sua vida aquilo que pertenceu ao passado e incomodou e tentarão viver o presente de uma forma limpa e organizada. Tentarão recompor suas relações amorosas e permanecer nelas depois dos desentendimentos. 

Mas também existem aquelas para as quais a visceralidade é essencial; aquelas que querem viver emoções intensas sem muitos questionamentos; aquelas que não se importam de ir ao fundo do poço e voltar encharcadas; aquelas para as quais o amor é infinito enquanto durar, se terminar, terminou. 

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Quem não mergulha dentro de si mesmo com o intuito de se conhecer tem mais chance de desenvolver reações de gatilho. Mas, como foi dito, nem sempre essas reações são insuportáveis. E mesmo que sejam, nem todas as pessoas querem se livrar de emoções fortes. 

Não existe, nesse sentido, normal ou patológico. Desde que a pessoa assuma seu jeito e não culpe outros, seja do seu presente ou do seu passado pelas suas escolhas vivenciais, está tudo certo.

Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental. Vya Estelar quer colocar você, querido leitor(a), ainda mais pertinho de nós. A psicóloga Anette Lewin responderá perguntas enviadas por você sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas por você; 2º) formato: extrair uma palavra em específico de uma pergunta que você enviou (ex: traição). E partir desta palavra, revelar o significado do que sentimos ao nos relacionar. Seu nome e e-mail serão preservados.

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